A ética no jornalismo online: um problema a ser resolvido
uma notícia errada na rede pode gerar mais problemas do que cinco minutos de atraso
O jornalismo online é um conceito novo, moderno. Existe a pouco tempo, e por isso ainda está sendo usado como campo de estudo pelos grandes teóricos da comunicação. Mas se formos analisar o jornalismo online como ciência e ver toda a sua ascensão perante a opinião pública, chegamos também a um conflito: quais são os seus limites ?? Existem limites que devem ser respeitados na web ?? Qual é o código de ética a ser seguido para os usuários da rede ??
Na verdade, não há nenhuma norma, nenhum documento escrito e homologado para que nós possamos nos basear ao entrar nesta discussão. Entretanto, convém analisar algumas regras que seriam aplicadas em qualquer meio no qual se planeja ter algum tipo de convivência. Por exemplo, a invasão de privacidade, uma regra do código de ética "real", pode ser levada para o virtual. Afinal de contas, pessoas que criam um perfil dizendo serem figuras famosas em sites de relacionamento já são processadas. Entrar em um perfil com uma conta de outra pessoa também não é a melhor das atitudes. Aplicar golpes financeiros pela internet e espalhar spams publicitários pela rede, então, são ações que dispensam qualquer comentário.
Para o teórico A. Novaes, "Imagens que procurem respeitar o tempo e o
espaço para que as coisas se cristalizem diante dos nossos olhos. Ética é saber atentar para o tempo e o lugar das coisas”. Ou seja, conteúdos adultos ou publicitários que surgem em sites de estilos diferentes, como páginas de notícia e blogs, são os elementos que mais incomodam o internauta. A questão dos direitos autorais também é complicada: tudo que é postado na rede acaba sendo usado de maneira indiscriminada por pessoas de todo o planeta. Alguns destes casos, é claro, acabam rendendo em milhares de processos, em que, na maioria das vezes, não se consegue descobrir quem é o criador e quem é a criatura. Um exemplo disto são as constantes denuncias de plágio a grandes músicos por alguns sucessos, como aconteceu recentemente com Michael Jackson.
Esta apropriação é o principal problema no mundo do jornalismo. Todas as notícias veiculadas, fotos publicadas e vídeos postados nos sites de notícia rapidamente se espalham por sites de todo o mundo, e todo este material é re-utilizado por milhões de internautas em toda a rede. Com isto, não se sabe quem é o verdadeiro autor da notícia. No próprio Youtube, é possível que se veja milhares de vídeos caseiros que com toda a certeza não agradariam diretores da Globo e da Band, por exemplo.
A rapidez com que as informações são postadas também prejudica o jornalista neste aspecto. A necessidade faz com que, muitas vezes, notícias falsas sejam publicadas. Nestes casos, o erro é do próprio redator, que em função do pouco tempo acaba não checando as próprias fontes da maneira considerada ideal. Deste primeiro erro vem um outro que eu julgo pior: muitos acabam substituindo a notícia errada pela correta ou deletando aquela informação errada sem admitir este erro perante os internautas. A atitude é errada e pode gerar erros catastróficos.
Lembro de um, cometido pelo radialista e blogueiro Paulo Gastal Neto, que prejudicou diretamente um amigo meu. Na noite de 16 de Janeiro, marcada pelo acidente com o ônibus do Brasil, o jornalista postou no seu blog minutos depois do acidente que as 3 vítimas fatais, Milar, Régis e Giovani, estavam bem. Ao ler esta notícia, um grande amigo meu, xavante doente, foi dormir. Ele foi acordado cerca de 40 minutos depois por um amigo que, aos bater na porta aos prantos, contou o que realmente tinha acontecido.
A solução ?? Para os erros jornalísticos, basta mais atenção e a lembrança de que ninguém vai morrer se souber alguma coisa 5 minutos depois. E para os problemas da rede ?? Aí é necessário criar um código de ética online no qual se possa basear. Adaptações do código para o mundo virtual criam alguns conflitos com os quais já estamos cansados de ligar. Mas em uma realidade alternativa onde há mais de um bilhão de usuários, a fiscalização se torna tarefa complicada e, assim como acontece na sociedade civil, ainda veremos muita corrupção.
FONTE:
NOVAES, A. “Ética”. São Paulo: 9. ed. Companhia das letras. 2003.
Trecho retirado do artigo "Princípios e conceitos sobre a ética e uma
proposta de uso no desenvolvimento de interfaces
de Web sites", de Isolete T. Dzendzik, José Carlos Becceneri e Mauricio Gonçalves Vieira Ferreira
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário